Tive a oportunidade de entrevistar o Mário Junior, um pessoa bastante conhecida na comunidade Flex e desenvolvimento de RIAs.
Segue a entrevista:
Raphamaster: Mário conte-nos um pouco de sua história, como você inciou na área de desenvolvimento de softwares e como você está hoje.
Mário Junior: Sou um cara do interior, de Bonito-MS. E, como em toda cidade interiorana, a computação era algo que fascinava a todos.
Meu irmão mais velho era programador Clipper (dbase II) e quando eu tinha 10 anos ele me ensinava a fazer “telas” com caracteres ASCII no clipper. Eram aquelas bordinhas duplas e simples muito usadas em programas ambiente DOS. Depois de um tempo, conheci o VBA no Word 97 onde eu brincava com macros e pequenas telas próprias. Depois conheci o VB5 e, em seguida o VB6, que me permitiam sair do ambiente office para criar programas executáveis. Nessa época aprendi muito quando trabalhei com Pedro Oliveira desenvolvendo aplicações para Agências de Turismo ainda em Bonito-MS. Depois de um tempo, quando saiu o VB.NET, migrei para o desenvolvimento WEB usando PHP. Depois de muito tempo, vim embora para Maringá-PR para trabalhar na Elotech onde aprendi a desenvolver com Java e também conheci o Adobe Flex.
Hoje trabalho com essas duas tecnologias que, a cada dia, me fascina ainda mais.
Raphamaster: Atualmente as grandes revistas especializadas estão comentando a “guerra” entre Adobe x Microsoft para o mercado de ferramentas de desenvolvimento para RIAs. Que benefícios você para este mercado?
Mário Junior: Para o mercado isso é ótimo. Acho que essa “guerra” tende a trazer maiores benefícios para nós, desenvolvedores. A cada dia, tanto a Adobe quanto a Microsoft, estarão empenhados em aperfeiçoarem suas ferramentas, logo mais recursos são adicionados e quem tem a ganhar com isso somos nós – que trabalhamos com as ferramentas – e, os nossos clientes – o mercado – que terá produtos com maiores qualidades. Além do mais, sabemos que existem clientes que não vão abandonar a plataforma .Net da “noite para o dia”. Pensando nisso, a Cynergy Systems – uma das maiores produtoras de RIA do mundo – adotou recentemente o Silverlight para desenvolvimento de aplicações justamente para atender esse perfil de clientes. Portanto, para o mercado é ótimo ter mais opções.
No entanto, não podemos esquecer de outras ferramentas como o JavaFx da Sun que promete entrar na briga e as demais bibliotecas Javascript que trablaham com a técnica de Ajax, que também podem ser classificados como ferramentas para desenvolvimento de RIA. Opnião pessoal: Bibliotecas Ajax tendem a acabar por não prover a interatividade que o Flex e Silverlight já oferecem, além de tornar o desenvolvimento mais custoso e de difícil manutenção. O JavaFx parece ser promissor, mas ainda precisa amadurecer muito para alcançar o Flex. O Silverlight, já na versão 2, também carece de muitos recursos que já existem desde o no Flex versão 2, e que hoje já está na versão 3. Portanto, nessa “guerra”, o Flex ainda está levando a melhor, mas é bom que a Adobe não pare no tempo, por isso aguardamos com ansiedade o Gumbo (codename para o Flex4).
Raphamaster: A lista FlexDev hoje conta mais 980 membros, como você acha que o mercado brasileiro está com relação aos profissionais, está fácil encontrar bons profissionais?
Mário Junior: O mercado brasileiro ainda carece de bons profissionais Flex, e não é só de Flex, mas essa falta de profissionais já é uma tendência que vem sendo registrado há algum tempo na área de desenvolvimento aqui no Brasil. Tive uma demonstração clara disso nesses dias. Veja só, juntando as duas maiores listas de Flex do Brasil (flex-brasil e flexdev) temos em média cerca de 1600 profissionais cadastrados. Há alguns dias precisei recrutar programadores para uma empresa norte-americana e, desses 1600 profissionais, recebi cerca de 10 curriculos apenas. Flex ainda é novo, embora muitos clientes já vem solicitando projetos com essa tecnologia, o que me leva a concluir que quem direcionar seus estudos para desenvolvimento com Flex terá um bom nicho de mercado para explorar.
Raphamaster: Sobre Certificações. Muitos profissionais que tem certificações acabam ganhando um “respeito” do mercado como especialista na tecnologia, o que na pratica em alguns casos não é verdade, pois apenas estuda-se para a prova, o que no dia-a-dia a resolução de problema na realidade é bem diferente, qual sua opnião sobre certificações ?
Mário Junior: É verdade. Certificações realmente impõem um certo respeito ao profissional no mercado, mas nós e o mercado, sabemos que não é suficiente. Provas de certificações atestam que o candidato tem conhecimento da ferramenta e tecnologia, mas não atesta nenhuma capacidade em resolução de problemas com o uso da ferramenta/tecnologia. Por isso é importante o convívio e a exeprieência do dia-a-dia. Seria como me certificar com J2ME (Java para celular), mas se não trabalhar com isso no dia-a-dia não terei capacidade técnica para projetar soluções, logo, a certificação não valeria de nada. Assim é para Java, Flex, .Net, etc.
Raphamaster: Você é desenvolvedor Java né, agora temos os movimentos Agile e comunidades Ruby on Rails que divulgam o desenvolvimento Ágil, e muitas vezes usam Java como exemplo de averso de produtividade em desenvolvimento, você concorda com isso?
Mário Junior: Em termos sim. Mas não é culpa da linguagem, é culpa de cultura. Tenho acompanhado, um pouco de longe, esses movimentos Agile, eXtreme Programing (XP) e outros. Essas metodologias podem ser aplicadas em qualquer linguagem, desde que a cultura da empresa de desenvolvimento permita. Java também pode ser produtivo, assim como Ruby também pode ser improdutivo sem adoção de metodologias agiles aplicadas. Isso pode acontecer com Java, PHP, .Net, etc. É questão de cultura, e não tecnológica.
Raphamaster: Para iniciantes, qual material de estudo e dicas você aconselha pra iniciar o desenvolvimento com Flex.
Mário Junior:
- Primeiramente, é essencial que já saiba o básico de alguma linguagem server-side (php, java, .net, ruby, etc)
- Depois, saiba como funcionam as formas de integração com server-side (RemoteObject, HttpService, WebService)
- Dê uma boa explorada em todos os componentes padrões do Flex (Containers principalmente) e como extendê-los.
- Fica também um menção a excelente documentação feita pela adobe (os livedocs), e o blogs que servem como ótima referência de profissionais do mundo todo que trabalham com Flex.
Raphamaster: Você toparia fazer um podcast sobre Flex e desenvolvimento sobre para flexDev e a cominidade?
Mário Junior: Claro! Será um prazer!
Raphamaster: Este espaço é pra vc falar o que desejar, agradecimentos recomendações etc.
Mário Junior: Quero agradecer a essa oportunidade. De um tempo para cá, tenho assumido a bandeira do Adobe Flex e trabalhado na divulgação dele. Junto com uns amigos da Elotech e com outros desenvolvedores de Maringá-PR, fundamos uma comunidade aberta denominada de FlexIngá que já está em processo de aprovação para se tornar um AUG – Adobe User Group oficial. Acredito muito na tecnologia e no potencial que ela nos permite para criar RIA (Rich Internet Applications) verdadeiramente.
Recomendo o investimento de tempo e até recursos financeiros, se possível, no estudo com Adobe Flex. O mercado já vem solicitando há tempo inovações com aplicativos web, oportunidades estão aparecendo e falta gente para suprí-las, quem apostar agora, terá grande chance de se dar bem.